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Foto Roseane Gonçalves/Una

Muito mais do que um empresário da moda o estilista mineiro Ronaldo Fraga é um empreendedor cultural.  A sua estreia no São Paulo Fashion Week foi em 2001 e até hoje não para de surpreender com uma moda criatividade, com ousadia, crítica social e riqueza cultural.

Inspirações

Oswaldo de Andrade, Carlos Drumond de Andrade, Athos Bulcão, Cândido Portinari, Tom Jobim, Tom Zé, Lupicínio Rodrigues, Zuzu Angel, os artesãos do Vale do Jequitinhonha, norte de Minas e as bordadeiras de Pernambuco sãos algumas das inspirações de Ronaldo Fraga.

Suas coleções apresentam a riqueza cultural de várias partes do Brasil com seus fazedores de cultura como escritores, poetas, músicos, pintores, artesãos e bordadeiras. Um Brasil ignorado por muitos estilistas, mas que faz sucesso no Brasil e no exterior pelas mãos criativas de Ronaldo Fraga.

“Eu tenho dito que o mesmo que aconteceu com a arte nos anos 90 e 2000, em que ela se libertou dos museus e das molduras, a moda está passando por uma fase para se libertar das roupas”, afirmou Ronaldo Fraga em entrevista ao nosso blog antes de participar no último dia 20 de outubro do evento Diálogos Fashion “Moda sem fronteiras: quebrando paradigmas, quando lotou o auditório do Instituto de Comunicação e Artes /Uma, em Belo Horizonte.

No evento, realizado pelo curso de moda da Una, Ronaldo estava bem à vontade para dialogar com os jovens que ficaram atentos para ouvir as experiências do estilista que há mais de 20 anos vem quebrando paradigmas e fronteiras no mundo da moda.

No início de nossa conversa Ronaldo Fraga mostrou qual caminho decidiu seguir e que, certamente, levou ao sucesso de tantos anos: um diálogo estreito com a cultura. Ronaldo faz o que gosta e como ele mesmo afirma: “faço o que eu, meus amigos e meus filhos usariam”.

“Se tem um vetor que não existe verdade absoluta é a moda. Existe a verdade que você aposta, o caminho que você aposta. Tem gente que fez o caminho da moda como um vetor econômico e fazem isso muitíssimo bem. Tem gente que pensa a moda como um vetor de tendência e copiam muito bem e tem gente que pensa a moda como um vetor autoral e com isso um diálogo estreito com a cultura. É nesse lugar que eu sempre procurei montar a minha aldeia e a minha barraca”, explica o estilista.

Sobre a tão falada invasão asiática Ronaldo Fraga é taxativo. “Hoje quem vai fazer e produzir roupa com eficiência são os asiáticos. Isso já está armado no mundo. Mudou todo o pendulo para lá. Então, agora mais do que nunca é o momento de pensar a moda como um vetor que tem uma desenvoltura para estabelecer diálogos com outras frentes.  Vamos continuar criando, vamos continuar produzindo, vamos continuar procurando caminhos para poder canalizar esta força criativa, mas pensar que a moda é mais do que roupa”, destaca.

Site GNT/Reprodução
Caminhos do empreendedor

O convite para o encontro com os estudantes da Una foi feito pela coordenadora do curso de Moda, professora Renata Canabrava. Segundo ela, o curso oferece aos alunos disciplinas ligadas ao empreendedorismo, como Gestão de Produtos e Marcas, Administração e Marketing, além de uma abordagem transversal feita em vários momentos do curso em outras atividades e com os trabalhos interdisciplinares.

O estilista mineiro, que em março de 2015 completa seu quadragésimo desfile, garante que o diálogo estreito com a cultura é um caminho que ele segue como empreendedor desde o seu primeiro desfile nos anos 90, numa época que pensar em moda associada a cultura era uma coisa absurda.

“Um professor um dia me disse: você está preparado né, você vai passar fome. No entanto, o que a gente vê hoje é que, passada a euforia da globalização, quando o genuíno é o novo luxo, esse genuíno, ele quer falar da cultura de um lugar, das pessoas, da alma de um lugar, da escrita de um lugar. É uma coisa que você não acha na produção chinesa em série”, destaca.

Dicas 

O estilista também fez questão de dar algumas dicas para o jovem empreendedor de moda e que vale para qualquer empresário: “O empreendedor tem que entender cada vez mais que aquilo que vai ser consumido ele tem que trazer um mínimo de verdade. E verdade é a visão de mundo de quem faz. Eu faço aquilo que eu quero para mim, que eu quero para os meus amigos, para os meus filhos. Então é isso que eu ponho no meu trabalho, que eu ponho na minha loja”.

Sobre alguns empresários que ainda se preocupam em copiar Ronaldo faz um alerta: “Eu acho que a cópia dá muito trabalho, mas muito trabalho mesmo, porque além de ter que correr atrás da última coisa que foi lançada, e nós não temos eficiência para isso, o seu produto vai estar sempre brigando no mercado por preço. Se ele é cópia ele vai ter que ter preço de cópia. Eu acho que cópia é o caminho mais difícil”.

Com relação às dificuldades que os empresários da moda enfrentam hoje o estilista afirma que são as dificuldades de qualquer empresário. “A dificuldade que eu tenho hoje não é de um empreendedor de moda, mas a dificuldade de todo empreendedor no Brasil. A gente vive hoje num sistema no Brasil em que é um pecado produzir, onde é um pecado investir, é um pecado empregar. Temos uma das maiores taxas de juros do mundo com serviços africanos. Eu acho que é a parte mais difícil”.

Com relação à concorrência Ronaldo garante que mudou muito. “O concorrente hoje não é a loja do lado. O concorrente hoje está na Europa, está na Ásia. O seu concorrente é a Louis Vitton, por exemplo, que produz na China     num custo de produção infinitamente mínimo e que tem um marketing mundial”.

Facebook Ronaldo Fraga/Reprodução
Potencializar o empresário

Ronaldo Fraga concluiu nossa entrevista falando de sua expectativa com relação ao novo Presidente da República e os novos parlamentares que assumem o Congresso em 2015. “Eu espero que haja um alinhamento em direção a uma questão que é muito séria que é a estagnação da economia, estagnação do mercado de produção e que deste jeito país nenhum cresce, país nenhum vai pra frente. É importante potencializar o micro empresário, o pequeno empresário o médio empresário que é quem está padecendo no mercado que a gente está vivendo”.

Trajetória

Ronaldo Fraga formou em estilismo na Universidade Federal de Minas Gerais e no início dos anos  90 fez várias especializações no exterior. Em Nova York, cursou a Parson's School com a bolsa que recebeu por ter vencido um concurso da empresa têxtil Santista. 

Em Londres, aprendeu chapelaria na Saint Martins e, junto com o irmão, abriu uma pequena produção de chapéus, vendidos nas famosas feiras de Camden Town e Portobello. Com a renda do negócio, viajou toda a Europa.

Em 1996, veio ao Brasil para participar do Phytoervas Fashion, em São Paulo. No último Phytoervas Fashion, em 1997, com a coleção "Em Nome do Bispo", inspirada na obra do artista Arthur Bispo do Rosário, ganhou o prêmio de estilista revelação. Ainda em 1997, Fraga lançou a sua marca própria. 
Em 2001 participou pela primeira vez do São Paulo Fashion Week , onde é sucesso até hoje. Sua última coleção Verão 2015 foi inspirada em Cândido Portinari    



Dúvidas e sugestões para o nosso blog no e-mail empreenderemminas@gmail.com

Fátima Emediato/jornalista Reg. 2980

140 novas categorias passam a ter direito ao Supersimples a partir de 2015, como médicos, corretores, advogados, jornalistas e outras atividades, que pagarão menos tributos e terão menos burocracia.

A presidente da República, Dilma Rousseff, sancionou a Lei Complementar 147/2014, que cria um cadastro único para micro e pequenas empresas. Com essa medida, o critério de adesão ao Supersimples passa a ser o teto anual de faturamento de R$ 3,6 milhões por ano.

Com a sanção da lei, mais de 140 atividades, entre elas médicos, advogados, corretores, jornalistas, fisioterapeutas e engenheiros poderão aderir ao Supersimples e passarão a pagar uma carga tributária diferenciada a partir de janeiro de 2015.

A nova lei unifica oito impostos em um único boleto, reduz, em média, em 40% a carga tributária e faz com que o CNPJ seja o único número da empresa.

A Lei estabelece como critério de adesão o porte e o faturamento da empresa, em vez da atividade exercida. Com isso, médicos, corretores e diversos outros profissionais, principalmente do setor de serviços, podem aderir e passar a pagar menos tributos, com menos burocracias.

Além disso, a nova norma também protege o Microempreendedor Individual (MEI), categoria que fatura até R$ 5 mil por mês ou por ano até R$ 60 mil, de cobranças indevidas realizadas por conselhos de classe, veda a alteração do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) de residencial para comercial e elimina o ônus previdenciário de 20% para quem contrata o MEI.

A opção para aderir ao Supersimples é feita somente pelo site da Receita Federal entre o primeiro dia útil de novembro e o penúltimo dia útil de dezembro de 2014. Mas a tributação pelo Supersimples só valerá a partir de 1º de janeiro de 2015.

Mais informações e a relação de todas as atividades profissionais beneficiadas com a nova Lei você confere no site www.sebrae.com.br/portalsebrae. Basta digitar Supersimples na busca.

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